terça-feira, 10 de abril de 2012

MARLENE SOCCAS


PARA ASSISTIR AO VÍDEO CLIQUE AQUI.

Marlene Soccas (Criciúma-SC), 78 anos, dentista, presa em 1970 aos 35 anos em São Paulo, onde conheceu Dilma Rousseff.

Devido a sua história de luta por mudanças nesse nosso país, ela foi convidada para conversar com os professores em greve na cidade de Cocal do Sul, em abril de 2012.

Algumas frases que ela proferiu:

Os trabalhadores enfrentam o patrão capitalista que não admite qualquer redução na sua taxa de lucros. O Estado também é capitalista.

Salário mínimo não devia existir. Eu acho que é vergonhoso.

Eu como dentista cobro o que eu quiser. Mas os trabalhadores das empresas não podem dizer qual é o preço do seu trabalho. O preço do trabalho de um professor não tem preço... Vocês valem muito e o salário de vocês deveria ser um dos mais altos do Brasil.

O pior de tudo é a Ditadura dentro de nós.

Toda a sociedade aprendeu a ler e a escrever com quem? Com os professores!!!!

PALAVRAS DA DRA. MARLENE SOCCAS

Caríssim@s amig@s.

Fui convidada para participar de uma manifestação dos Professores da cidade de Cocal do Sul, em frente à Prefeitura, em função da greve que eclodiu na cidade.
O discurso foi mais longo, ainda falei da importância da Unidade de TODOS os trabalhadores em suas lutas particulares,de Todas as Categorias de Trabalhadores, umas apoiando as outras. E fiz uma sugestão aos sindicalistas presentes, pertencentes à CUT, que sugerissem às catergorias que representavam, para que abrissem mão de algumas horas trabalhadas, ou um dia de trabalho, para se juntarem aos Professores, iniciando, naquela Praça, o embrião da Unidade da Luta de todos os trabalhadores.
Meu terceiro ponto de discussão foi sugerindo aos Professores que não lutem dentro do sistema Capitalista, não lutem dentro do pensamento reformista, porque o sistema capitalista não tem mais nada a oferecer à sociedade. E que, a luta reformista significaria que, de tempos em tempos, eles estariam, novamente, naquela praça, de pires na mão, lutando, nada mais nada menos do que PELA APLICAÇÃO DE UMA LEI EXISTENTE e que a luta deveria ser encaminhada para uma luta de transformação social.
É claro que o vídeo ficaria longo. Mesmo assim, valeu. Os Professores de Cocal do Sul estão de parabéns pela greve histórica, sendo a primeira, entre os Professores, que acontece naquela pequena cidade do interior de Santa Catarina.
Um grande abraço a tod@s, Marlene Soccas.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Professor João Fabrício Somariva

Olá à todos os colegas de trabalho,

Trabalho a quase 10 anos em Cocal e escolhi este lugar para viver.
Desde que moro aqui não havia me posicionado politicamente e vivia minha vida tranquila, acompanhava os rumores da política suja de Cocal do Sul e ficava alheio a tudo. Só que agora estão mexendo com minha escola e meus alunos. Aí já chega!
Cansado de ouvir rumores de todos os lados fui até minha escola (Demétrio Bettiol) ver qual a situação real pois se visse as salas de aulas cheias e Professores dando aula normal pensaria em voltar pois acharia que o movimento grevista estaria fraco. Mas o que vi é o retrato do descaso. "Professores" com 7, 8 alunos por turma, alunos de turmas diferentes misturados, alunos dentro da sala sem Professor.
Na chegada ao colégio vi 3 mães querendo buscar seus filhos e não conseguiam entrar. Depois de quase irem aos prantos elas conseguiram (ficaram sabendo o que realmente estava acontecendo na escola).
Não gosto de política, não gosto de greve e me sinto mal em estar parado, acredito que meus colegas também. Agora o que vi não pode ser chamado de "aula normal". Quem está na escola e não tem cargo político até entendo, mas os demais devem se envergonhar do que estão presenciando todo dia, eu não teria estômago para isso.

RESPEITO QUEM FAZ GREVE, RESPEITO QUEM NÃO FAZ, SÓ NÃO RESPEITO O MAL QUE ESTÃO FAZENDO AOS ALUNOS.

Professor João Fabrício Somariva

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Greve continua...

Ontem o procurador Rafael chamou a Comissão de Negociação e agendou uma reunião.

Hoje de manhã, o Prefeito Nilso Bortolatto, o procurador Rafael e o Laércio estiveram ouvindo a contraproposta do Sindicato.

Pedimos que pagassem agora 14,5% e que o restante fosse parcelado em duas vezes, nos próximos meses. Solicitaram a proposta por escrito e o advogado do SISERP a providenciou rapidamente. Ficamos aguardando o retorno. Somente as 16 horas, depois de exigir uma posição é que ouviram a resposta: a proposta veio negada.

Decepcionados e indignados, decidimos que amanhã, dia 5 de abril, estaremos lá para protestar.

A Prefeitura Municipal estará fechada porque o prefeito decretou ponto facultativo, mas estará acontecendo a Feira do Peixe e assim poderemos conversar e divulgar mais nossos objetivos para a comunidade.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Os gráficos provam que dinheiro tem para que a Lei seja cumprida!


FPM = Fundo de Participação dos Municípios

FUNDEB = Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação Básica.

Os dados de 2012 são relativos aos meses de janeiro e fevereiro.

Reflexão sobre a Greve de 2012

Minhas palavras sobre a greve de Cocal do Sul

O Plano Político Pedagógico da Escola de Ensino Fundamental Demétrio Bettiol, de Cocal do Sul, tem como missão: Garantir um ensino de qualidade, igualitário e inclusivo, ligando o conhecimento técnico ao prático, para a formação do cidadão consciente, transformador da sociedade e ecologicamente responsável.
O que fizeram os países evoluídos para garantir ensino de qualidade? Garantiram uma boa formação para os seus educadores. Sem um professor preparado não haverá mudanças positivas no sistema de Educação. Estudar mais, não é fácil: requer dinheiro e tempo. No entanto, muitos professores venceram as dificuldades para ter no mínimo uma especialização que agora, não querem valorizar no Plano de Carreira.
Vai faltar professor em nossas escolas. Aliás, nossa região já sente a carência em algumas disciplinas. Tem escola que reclama da falta de competência de alguns profissionais e já houve: “Pelo amor de Deus, fica com esse!” E os pais, nem imaginam que à medida que os governos desvalorizam o Magistério, a qualidade cai drasticamente.
Sempre discutimos em nossas reuniões que temos que trabalhar mais do que o conteúdo da disciplina que nos compete: temos que formar cidadãos conscientes dos seus deveres e direitos. A pergunta que não quer calar: Como é que uma pessoa que não tem consciência dos seus deveres e direitos pode ensinar isso aos outros? Nessa luta em tentar defender que a Lei do Piso, em Cocal do Sul, seja respeita, eu vi muitos colegas sendo iludidos por palavras bonitas e argumentos infundados. Talvez, porque estamos acostumados com a sofrer a indiferença do poder público, acreditamos que receber 14% está ótimo. Mas, há uma Lei Federal que diz que o valor é de 22,22%. Temos dados mostrando que a Prefeitura já recebeu 19% de aumento no valor do FUNDEB. Por que então não querem nos repassar na mesma proporção?
Em assembléia decidimos que precisamos apelar para o último e pior recurso: a greve. Sentimos que à medida que a Lei foi sendo esclarecida e os números conhecidos, os professores começaram a entender que não dá mais para tolerar certas imposições de nossos governantes. É óbvio que os cargos “comissionados” dirão aos alunos que haverá aula! Afinal, eles têm que obedecer porque é uma troca de favores: “Eu te coloquei lá e agora você faz o que eu mando!” Talvez, essas pessoas pensem como nós, mas não podem falar e muito menos se manifestar contra. Também tem os casos dos professores ACTs – Admitidos em Caráter Temporário – que sentem uma vontade imensa de estar do lado de quem luta, porém, tem medo de “ficarem marcados”. A eles, digo uma coisa que um dia ouvi da Bárbara, presidente do SISERP, quando falei sobre os alertas da minha família sobre possíveis represálias: “Corremos esse risco, mas passamos a ser mais respeitados também.” Até hoje não sofri nenhuma retaliação por participar dos movimentos sindicais.
Tento aceitar as ideias e posturas dos colegas que decidem não fazer greve ou pior ainda, trabalhar contra quem faz. Mas, não nego que perco a admiração por eles! É difícil aceitar que as conquistas serão para todos, grevistas ou não. Penso que as pessoas que posicionam-se ao lado dos governantes, para manter a dignidade moral, deveriam doar os valores recebidos em seus salários resultantes da luta dos colegas. Vou fazer algumas sugestões: doem cestas básicas para um asilo, levem fraldas para as crianças que estão em albergues, comprem material dourado para as aulas de matemática, arrumem os quadros, coloquem um espelho no banheiro feminino, consertem o Data-Show. Espero que essas pessoas não sejam as mesmas que reclamaram porque não foi providenciado um apagador para o início do ano letivo!
Se quisermos formar cidadãos transformadores da sociedade temos que agir adequadamente. Chega de discursos demagógicos. Mesmo assim, prometo que vou procurar respeitar os contrários. Tenho estudado muito a doutrina espírita que nos reconhece como seres em constante evolução e que precisamos compreender que nem todos os humanos estão no mesmo patamar. Juro que não há ironia no que acabo de escrever.

Ana Lúcia Pintro, professora da rede municipal de Cocal do Sul.